Não tenho tido muita paciência com o mundo e tenho sido muito intolerante com as pessoas. Não tenho me interessado por quase nada e as coisas não tem me comovido com freqüência. Sementinha germinando, florzinha enfeitando o jardim, eclipse lunar, nascimento, morte, cidades, pessoas, música, poesia, amores. Nada. Eu olho para as pessoas, algumas pessoas, e me impressiono com o (aparente) potencial que elas tem de usufruir de uma felicidade sem cérebro. Me impressiono ao mesmo passo que admiro. Penso eu que viver assim deve ser um viver tão leve, tão livre...
Os dias tem simplesmente sido. Nada substancialmente positivo ou negativo a acrescentar. Uma falta de laços tão grande que eu poderia ir agora para qualquer lugar do mundo: Timor Leste, Guatemala, Palestina e não sentiria nada, nem medo nem falta.
Cansada do ser humano. Cansada do pseudo-progresso da civilização, do mundo corporativo, das manipulações, da mídia, das religiões, do imperialismo americano e das discussões a respeito, das crenças libertárias de um mundo melhor, do meu pensamento utópico de querer salvar o mundo. Cansada de querer acreditar em algo. É tudo invenção.
Tenho procurado me livrar de tudo aquilo que me prende. Involuntariamente boa parte das coisas que eu acreditava, abandonei. Em meio a esse abandono procuro um lugar pra ficar, onde eu possa ser, mas eu não encontro esse lugar porque desprezo o superficial. E tudo é superficial por mais fundo que se possa ir. Como é difícil pertencer a algo. Nada é exatamente o que parece ser.
Cansada de ser humana. Até a borda de mim. De saco cheio dos meus preconceitos. Cheia de sentir vontade de voltar pro meu edredon quentinho toda vez que me deparo com essa gente que sorri demais, alto demais e sem motivo demais. De saco cheio de lugares lotados e dessa gente que precisa estar em grupo pra aparentar existência
De saco cheio de todas as coisas que se parecem porque eu ando realmente cansada de repetição. Cansada das bandas de rock que se parecem, das “novas vozes da MPB” que se parecem, da galera “alternativa” que se parece e de todas as mortais análogas que- munidas de salto, maquiagem e discussões afetuosíssimas sobre as (f)últimas notícias do mundo – se parecem. De saco cheio dos que ouvem determinado tipo de música e se acham superiores porque escutam “música de qualidade”, dos que lêem determinados autores e assistem determinados filmes e saem por aí divulgando a capacidade do seu intelecto. Tomar no cult todos eles.
Acho que o meu problema é ter aprendido desde criança a ver o mundo como se vivesse fora dele e ter criado um mundo interior bem mais interessante que o externo, então a realidade fica o tempo inteiro acenando pros meus olhos, fazendo festa na minha mente cheia de conceitos pré-formulados. Sei lá, talvez eu precise de drogas pra fugir um pouco dessa realidade gritante já que a sobriedade do mundo me cansa, só que eu acho tudo isso uma chatice sem tamanho e, de boa, sair por aí com cara de boba ou serelepeando inutilmente não me convence (desprezo o superficial, lembra?). Sou careta e tenho conservado certa impaciência por essa gente que acha que o problema do mundo é a falta de psicotrópicos no cérebro das pessoas. As coisas me cansam demais.
Os dias tem simplesmente sido. Nada substancialmente positivo ou negativo a acrescentar. Uma falta de laços tão grande que eu poderia ir agora para qualquer lugar do mundo: Timor Leste, Guatemala, Palestina e não sentiria nada, nem medo nem falta.
Cansada do ser humano. Cansada do pseudo-progresso da civilização, do mundo corporativo, das manipulações, da mídia, das religiões, do imperialismo americano e das discussões a respeito, das crenças libertárias de um mundo melhor, do meu pensamento utópico de querer salvar o mundo. Cansada de querer acreditar em algo. É tudo invenção.
Tenho procurado me livrar de tudo aquilo que me prende. Involuntariamente boa parte das coisas que eu acreditava, abandonei. Em meio a esse abandono procuro um lugar pra ficar, onde eu possa ser, mas eu não encontro esse lugar porque desprezo o superficial. E tudo é superficial por mais fundo que se possa ir. Como é difícil pertencer a algo. Nada é exatamente o que parece ser.
Cansada de ser humana. Até a borda de mim. De saco cheio dos meus preconceitos. Cheia de sentir vontade de voltar pro meu edredon quentinho toda vez que me deparo com essa gente que sorri demais, alto demais e sem motivo demais. De saco cheio de lugares lotados e dessa gente que precisa estar em grupo pra aparentar existência
De saco cheio de todas as coisas que se parecem porque eu ando realmente cansada de repetição. Cansada das bandas de rock que se parecem, das “novas vozes da MPB” que se parecem, da galera “alternativa” que se parece e de todas as mortais análogas que- munidas de salto, maquiagem e discussões afetuosíssimas sobre as (f)últimas notícias do mundo – se parecem. De saco cheio dos que ouvem determinado tipo de música e se acham superiores porque escutam “música de qualidade”, dos que lêem determinados autores e assistem determinados filmes e saem por aí divulgando a capacidade do seu intelecto. Tomar no cult todos eles.
Acho que o meu problema é ter aprendido desde criança a ver o mundo como se vivesse fora dele e ter criado um mundo interior bem mais interessante que o externo, então a realidade fica o tempo inteiro acenando pros meus olhos, fazendo festa na minha mente cheia de conceitos pré-formulados. Sei lá, talvez eu precise de drogas pra fugir um pouco dessa realidade gritante já que a sobriedade do mundo me cansa, só que eu acho tudo isso uma chatice sem tamanho e, de boa, sair por aí com cara de boba ou serelepeando inutilmente não me convence (desprezo o superficial, lembra?). Sou careta e tenho conservado certa impaciência por essa gente que acha que o problema do mundo é a falta de psicotrópicos no cérebro das pessoas. As coisas me cansam demais.