12 Setembro 2008

as pessoas que se morrem

E depois da notícia me ficou uma sensação esquisita, a mesma que sempre vem me visitar depois de notícias assim. Dispensei os pensamentos que – involuntários – surgiram: o sangue, a dor, o grito (?), o corpo... E em seguida me veio a questão: por que?

Quando acontece, o suicídio traz de mãos dadas a incompreensão, o não entender. Um desconhecimento, uma incógnita, um monólogo restrito. Mesmo que de forma não assumida nem tão clara, falam de fraqueza, falam como algo que beira a depreciação e ocidentalmente algo que precisa ser perdoado, cheio de culpa cristã, um quase pecado ou coisa assim. Talvez seja esse o motivo de toda a inquietude. Todos os burbúrios que envolve. Não sei.

Lembrei da banalidade fatal com que isso ocorre. Uma menina. Mais uma. Menos uma. Minha idade. Tanta vida ainda. Um ponto final. Ponto. Antes do fim do texto.

Não consigo tirar da cabeça aquela menina, aquele prédio e a sua decisão. Não consigo deixar de pensar nos comentários que fazem, fizeram e ainda farão. Por que o suicídio nos inquieta tanto? Decidir morrer me soa tão estranho, tão tenso. Por mais que possa existir liberdade e leveza no ato, se é que pode mesmo existir. Não se trata apenas do que foi dito no parágrafo anterior, nem uma questão de livre arbítrio.

Quantas mortes cotidianas ocorrem pra que se decida morrer de verdade?